Segurança e tecnologia: 1 dilema do século XXI

Segurança e Tecnologia
“Há que encontrar soluções universais de que as pessoas confiem, que sejam seguras e privadas.”, afirma Carla Bailo, Presidente e CEO do Center of Automotive Research.

Quando o assunto é a mobilidade autónoma, parece não existir entre as marcas uma linguagem uniforme, causando nos indivíduos uma certa incerteza e relutância. Mas estará, de facto, a segurança comprometida pela tecnologia?

Condução Autónoma

No que diz respeito à condução autónoma, existe um certo fascínio pela forma como as marcas são capazes de utilizar a tecnologia e criar produtos tão futuristas. Mas quando pensamos na segurança e privacidade a eles associadas, por vezes, o fascínio dá lugar à desconfiança.

Na CES 2021 (Consumer Eletronic Show) foram apresentados vários projetos de carros voadores, sistemas de condução e estacionamento autónomos e sistemas de navegação capazes de ler os sinais vitais  e proporcionar maior conforto ao passageiro. Grande parte destes produtos só serão comercializados na próxima década. Até lá, há muito a desenvolver e a explicar por pelos fabricantes.

Quanto à condução autónoma, ainda precisamos saber, com clareza, o que isto significa. Algumas marcas, como a Waymo e a Audi, admitem que é preciso tempo para que a tecnologia amadureça e para que as pessoas consigam absorvê-la e reconhecê-la, mas para que isso aconteça é fundamental a transparência e a uniformidade na linguagem. “Se dissermos que um veículo é autónomo, este tem de ser mesmo autónomo. A transparência é a chave para ganhar a confiança das pessoas.”, afirmou Christiane Zorn, Diretora de Marketing da Audi, na CES 2021.

Sabemos, segundo a SAE (Society of Automotive Engineers), que existem 5 níveis autonomização na condução, e que no momento atual atravessamos uma transição do nível 2 para o nível 3. Segundo as previsões do mercado, os níveis 4 e 5 só serão alcançados no final da próxima década, quer pela sua complexidade, quer pelos custos de produção.

  • Nível 0: Inexistência de autonomia do veículo, sendo o condutor o total responsável pela condução;
  • Nível 1: Existe um sistema de condução assistida em algumas funções, mas o automóvel continua a ser controlado pelo condutor. Por vezes os sistemas que ajudam no controlo de navegação no verão não se encontram ajustados às condições do inverno, por exemplo;
  • Nível 2: A autonomização é parcial, por vezes só na aceleração e travagem, fica a cargo do condutor o controlo do volante e das variantes externas na condução;
  • Nível 3: A autonomização é condicionada, podendo o automóvel desempenhar a condução autónoma em alguns casos, no entanto o indivíduo deverá estar preparado para intervir assim que o sistema o solicitar;
  • Nível 4: Existe uma alta autonomização e o veículo é capaz de desempenhar todas as tarefas de condução, porém não em todas as circunstâncias, cabendo ao indivíduo estar atento a estas;
  • Nível 5: A autonomização é total e a intervenção dos indivíduos na condução é dispensável.

Segurança

A preocupação  dos fabricantes em investir em sistemas de segurança, cada vez mais eficazes na proteção dos passageiros, é notória. O aprimoramento das tecnologias de interação sem contacto e a utilização de câmaras para a projeção de realidade aumentada são alguns dos exemplos mais recentes. Todavia estas inovações levantam também questões relativas à gestão e proteção dos dados. Empresas como a Intel, têm agora a preocupação de explicar e justificar a utilização destas tecnologias. Mas, mesmo assim, há quem ainda duvide.

Ao longo dos últimos anos, vários relatórios têm vindo a evidenciar a importância da tecnologia na segurança rodoviária. O estudo académico, publicado em 2018, “Safety and Security through the Design of Autonomous Intelligent Vehicle Systems and Intelligent Infrastructure in the Smart City”, destaca que “a transformação digital do transporte só pode ser alcançada por via de quatro processos básicos: automação, dados digitais, interface digital do utilizador e interconectividade dos sistemas”. Também o relatório desenvolvido pela União Europeia,  “Road safety study for the interim evaluation of Policy Orientations on Road Safety 2011-2020”, promove o uso de tecnologia moderna para aumentar a segurança no trânsito.

Carla Bailo, Presidente e CEO do Center of Automotive Research, partilha da mesmo opinião e acrescenta que a resolução deste problema passa, sobretudo, por encontrar soluções universais de que as pessoas confiem, que sejam seguras e privadas.

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