Chipgeddon: Os impactos de 1 chip na indústria automóvel

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Nos tempos atuais, os chips revelam-se imprescindíveis em todos os setores e os fabricantes não têm mãos a medir. A indústria automóvel é uma das mais penalizadas a nível global, uma vez que, num único automóvel recente, são precisos cerca de 100 microprocessadores.

Com a aparecimento da pandemia, e consequente obrigatoriedade de confinamento, notou-se um aumento generalizado da compra de equipamentos informáticos. Desde os computadores às consolas, todos contribuíram para que a capacidade máxima de produção de processadores fosse atingida.

À medida que as PlayStation 5 e as Xbox Series X saíam da linha de produção, com ambas as empresas a apontarem para 15 milhões de unidades por ano, a capacidade de produção dos fabricantes de chips ficou esgotada, impedindo-os de acompanhar as solicitações das marcas de automóveis.

Chipgeddon, ou guerra decisiva dos chips, é o conceito que melhor traduz as consequências resultantes da escassez desta peça de 2,6 cm, que para além de ter sufocado as construtoras automóveis ainda impulsionou disputas geopolíticas.

Os produtores de chips

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(Foto: Laura Ockel)

Apesar de serem os Estados Unidos os líderes no setor de desenvolvimento e design de componentes, Taiwan e Coreia do Sul são os principais fabricantes de chips.

Segundo o economista Rory Green, da consultoria TM Lombard, estes dois países asiáticos são responsáveis por 83% da produção global de chips de processador e por 70% dos chips de memória. Números que tendem a aumentar nos próximos anos.

Esta situação tem preocupado, sobretudo, os EUA e Biden já deu ordem para proceder a uma revisão urgente da cadeia logística de chips. Por forma garantir um abastecimento mais estável e fiável no futuro, o país deverá incrementar o aumento da produção interna e estabelecer articulação com parceiros internacionais.

 “Todos percebemos que isto é importante, não apenas para a nossa economia, mas também para a nossa segurança nacional, porque estes chips avançados operam tudo desde os caças invisíveis F-35 (…) até aos nossos telemóveis”, afirma John Cornyn, Senador Republicano do Texas.

As restrições sentidas e a dificuldade em dar respostas aos pedidos é generalizada. A Huawei, por exemplo, fez um grande pedido para formar um stock antes que as restrições comerciais dos Estados Unidos a impedissem de realizar novas encomendas.

Já as gigantes tecnológicas como a Qualcomm, principal produtora de processadores e modems que alimentam vários dispositivos, a TSMC e a Samsung, líderes na produção de chips, viram-se obrigadas a despender biliões para acelerar os processos complexos de fabricação.

No caso da Samsung, para além de produzir os habituais chips de 11 nanómetros que integram a maioria dos automóveis, ainda produz os mais recentes, de 5 nanómetros, que estão presentes nos últimos modelos da Tesla.

A indústria automóvel

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(Fonte: Mercedes-Benz)

Os automóveis modernos necessitam tanto de pneus como de processadores e estes últimos não servem de nada sem os chips que os integram. Os cada vez mais populares sistemas eletrónicos são comandados por processadores, desde o entretenimento à navegação, passando pelas ajudas à condução e gestão do funcionamento do motor, da caixa de velocidades e até do controlo de tração e estabilidade.

Apesar de todos os fabricantes automóveis saberem disto, optam por não os produzir ou desenhar, confiando estas tarefas aos especialistas em semicondutores. A única exceção é a Tesla, que desenha e desenvolve os seus próprios chips, encomendando depois a produção à Samsung.

Outra característica que distingue a Tesla dos demais é o facto de só necessitar de 2 processadores (um para controlar todo o veículo e o outro para o Autopilot, o FSD, com 3 quad-core), enquanto que os restantes precisam de pelo menos 100. Basta a falta de 1 para a produção fique comprometida.

Os impactos no setor

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Segundo a consultora IHS Markit, a falta de chips já custou à indústria automóvel global a produção de cerca de 1 milhão de veículos, e a situação deverá continuar a agravar-se até final de março, mantendo-se as carências até ao terceiro trimestre.

Como maior consumidor mundial de chips e maior fabricante de mais automóveis, a China foi o país mais afetado pela escassez, e tudo indica que assim se manterá. Segundo a IHS, estima-se que haverá uma redução de 250 mil veículos na produção durante o primeiro trimestre de 2021.

Quanto às marcas mais afetadas, destacam-se a Ford e a General Motors. Mas muitas outras sofrer prejuízos. A Toyota teve de parar uma linha de produção na China, a Stellantis no México e Canadá e Ford nos EUA. Na Europa não foi diferente. A Honda teve de parar por vários dias a sua fábrica em Inglaterra; a Audi teve de colocar 10 200 empregados em trabalho parcial nas suas fábricas de Ingolstadt e Neckarsulm; e a Opel tomou decisão idêntica na sua fábrica em Eisenach.

Enquanto o mundo assiste ao crash no mercado dos chips que ameaça à retoma do setor, a Autoeuropa continua a produzir sem constrangimentos. Segundo a fábrica de Palmela, o volume planeado e produzido pela Volkswagen Autoeuropa está a correr sem qualquer interrupção na cadeia de fornecimento.

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