Free Now e a Mobilidade do Futuro: Bruno Borges explica tudo

mobilidade Free Now

Estivemos à conversa com o Diretor de Operações da Free Now. Os assuntos em destaque foram a retoma da economia, a digitalização da mobilidade e as tendências para o setor a médio prazo.

Tendências na Mobilidade

1. Maior integração entre mobilidade, urbanismo e uso do solo.

No futuro, haverá mais zonas sem carros, onde poderemos caminhar e todos os serviços estarão no máximo a 15 minutos de distância.

Também os Planos de Mobilidade Urbana Sustentável poderão passar a ser obrigatórios. Isto será importante para interligar e integrar todos os meios de transporte de um município.

A intermodalidade tem que ver com o aproveitamento das vantagens que cada meio de transporte oferece, mas não só. Passa também pela criação de tarifários únicos que permitam usar diferentes meios de transporte.

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Bruno Borges                                              Diretor de Operações da Free Now

“Penso que no futuro iremos ter passes customizados às necessidades de cada consumidor. Por um custo fixo mensal, o consumidor poderá ter acesso a X minutos de trotinete, TVDE, Taxi, etc.”

Com recurso à tecnologia machine learning o algoritmo conseguirá identificar a forma mais eficiente de cumprir o trajeto. Por exemplo, envolvendo a trotinete e depois o metro.

Assim, haverá maior eficiência e racionalidade na utilização dos meios de transporte e dos recursos energéticos.

2. Consolidação da bicicleta como meio de transporte.

A crescente criação de ciclovias vai favorecer o aumento da procura deste modo de transporte. Entre outras virtudes, a bicicleta é o meio de transporte urbano mais rápido para distâncias até 4 quilómetros.

3. Crescimento do sector elétrico da mobilidade.

O sector dos transportes é responsável por 25% das emissões carbónicas. Por isso, os fabricantes automóveis já só apresentam soluções elétricas. Devido às metas ambientais, também o setor público continua a transição energética das suas frotas.

Isso fará com no futuro exista procura e uma maior e melhor oferta. Ou seja, os veículos vão continuar a melhorar a capacidade das suas baterias e vão tornar-se mais baratos.

Quanto ao tipo de energia, Bruno Borges afiram que irá destacar-se aquele que apresentar mais vantagens. Quer seja a elétrica, quer seja o hidrogénio ou outro.

“Entre elétricos e hidrogénio, não consigo dizer quem vai ganhar. Apesar de um deles poder vir a ter uma cota de mercado maior, ambos poderão conviver”.

O Hidrogénio, por exemplo, tem a vantagem de serem menos poluente e demorar menos tempo a carregar. No entanto, o preço é mais elevado e existe falta de postos de abastecimento.

4. Consolidação de empresas da área da mobilidade.

Em 2018, havia nove empresas de micromobilidade a operar em Lisboa e Porto e neste momento são já poucas.

5. O Foco deixa de estar no motor e no design, mas sim no software.

Softwares mais sofisticados irão possibilitar a comunicação entre veículos.

Isto permitirá que estes circulem em comboio e, por consequência, que as estradas tenham mais carga. Logo, o tempo das deslocações tenderá a diminuir.

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Bruno Borges alerta que estas tendências são sectoriais e que algumas serão mais evidentes em determinadas regiões do mundo ou mesmo exclusivas.

O Diretor de Operações da Free Now relembra, por exemplo, o caso na China, onde o Batery as a Service (BAAS) está a ganhar popularidade.

Esta popularidade deve-se, sobretudo, ao pagamento de valor baixo pela aquisição do automóvel. Mas, também à possibilidade de ter baterias sempre novas e carregada num curto espaço de tempo. A troca de bateria nas swap stations demora entre 3 a 5 minutos.

Comprar carro: Sim ou Não?

“(…) o carro, enquanto elemento de status social, está a mudar. Cada vez mais, as pessoas querem deslocar-se entre o ponto A e B com eficiência.”

As novas gerações têm mais preocupações com a sustentabilidade, ou seja, o equilíbrio entre a dimensão social, económica e ambiental.

Em consequência, a mobilidade como um serviço vai ser muito importante para estas gerações. Pois, estes não querem gastar 30% do seu salário num bem que utilizam em menos 10% do seu tempo.

As pessoas querem mover-se com eficiência a um custo reduzido e com baixo impacto ambiental.

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